Sindicato denuncia falta de diálogo e abandono da política ambiental pelo governo Leite
- Leonel Radde
- 10 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Representante da Associação dos Servidores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura (Assema/RS) e deputados denunciaram, nesta quinta-feira (6/11), em reunião da Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado da Assembleia Legislativa, o que classificam como um quadro de precarização da estrutura ambiental do Rio Grande do Sul. Além da falta de diálogo do governo Eduardo Leite com os funcionários da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), a entidade criticou a ausência de respostas do Executivo diante de pautas consideradas urgentes, especialmente após a série de desastres climáticos que atingiram o estado nos últimos anos.
Integrante da diretoria da Assema/RS, Pablo Tadeu Pereira da Silva afirmou que a fiscalização e o monitoramento ambiental seguem sem estrutura no RS. Conforme Tadeu, dois anos após as denúncias feitas no mesmo colegiado, praticamente nada mudou. Entre as principais preocupações está a falta do adicional de penosidade aos Analistas e a situação dos guardas-parques estaduais, que há mais de uma década sofrem com a ausência de armamento, munições e treinamento adequado — ferramentas consideradas essenciais para atuar em áreas remotas, de difícil acesso e frequentemente associadas a crimes ambientais e outras atividades ilegais.
Pablo, que também integra o Sindicato dos Servidores de Nível Superior do RS (Sintergs), reforçou que os servidores ainda não receberam armas nem munições, apesar de avanços nos processos administrativos. A situação se agrava diante do aumento de riscos. De acordo com o dirigente, há registros de ameaças, pneus cortados, tiros contra veículos oficiais e apreensões de grande volume de armamentos com infratores. “Precisamos esperar a morte de um servidor para que algo seja feito?”

, questionou, destacando que Sema é responsável por mais de 24 unidades de conservação no Estado. O efetivo atual, no entanto, não acompanha a demanda. “Chegamos a ter cerca de 55 guardas-parques. Hoje, são ainda menos. Cada servidor tem de cobrir milhares de hectares”, afirmou.
O sindicato protocolou questionamentos formais ao governo, mas ainda não obteve resposta. O deputado Leonel Radde, proponente da reunião, afirmou que a Casa Civil tem sistematicamente negado a participação de representantes do governo em reuniões da comissão, inclusive em temas que não envolvem conflitos políticos. “É esse nível de falta de diálogo que nós temos com o governo do Estado. Ele vai à imprensa propagandear supostas melhorias na área ambiental, mas foi o governador que flexibilizou a lei ambiental, permitindo uma série de absurdos que agravaram a situação que vivemos nas enchentes de 2023 e 2024”, criticou Leonel.
Leonel assinalou que a representação dos servidores da Sema revela uma realidade oposta à que o governo divulga. “Dois anos se passaram e nada mudou. Uma agenda com o governo demora meses ou nunca acontece. Isso não faz sentido. Vamos insistir nesse diálogo e seguimos à disposição da categoria”, completou.









Comentários