Na Comissão e Segurança, UGEIRM e concursados pedem reforço no efetivo da Polícia Civil
- Leonel Radde
- 12 de fev.
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Representantes da União Gaúcha dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia (UGEIRM/Sindicato) e candidatos aprovados no concurso da Polícia Civil do Rio Grande do Sul atualizaram, nesta quinta-feira (12), o cenário do certame durante reunião da Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado da Assembleia Legislativa. O encontro foi conduzido pelo presidente do colegiado, deputado Leonel Radde.
O vice-presidente da UGEIRM, Fábio Nunes de Castro, criticou a cláusula de barreira prevista no edital, que oferece 720 vagas e teve provas aplicadas em janeiro deste ano. Segundo ele, a regra impede a formação de cadastro de reserva — medida inédita nos concursos da Polícia Civil gaúcha. “Defendemos a flexibilização da cláusula para possibilitar um cadastro de excedentes e, assim, suprir as necessidades dramáticas de pessoal”, afirmou.
Castro destacou o déficit no efetivo da instituição. Atualmente, a Polícia Civil conta com cerca de 5,4 mil servidores, embora a previsão legal seja superior a 9 mil. Ele também apontou que, em 80 municípios, há apenas um policial civil responsável por toda a demanda da delegacia.
Outro ponto levantado foi a redução no quadro funcional nos últimos anos. Desde 2020, segundo o dirigente sindical, ocorreram cerca de 250 exonerações e mais de mil aposentadorias, totalizando uma perda superior a 1.300 servidores. Além disso, o sindicato chamou atenção para a queda no número de inscritos no concurso atual, que registrou redução de cerca de 40% em relação ao certame anterior. De acordo com Castro, o cenário é reflexo do arrocho salarial enfrentado pela categoria, que acumula perdas estimadas em 24% nos últimos anos.
Representando os aprovados, Hilton Pereira reforçou a preocupação com a cláusula de barreira e defendeu sua retirada para ampliar o número de candidatos aptos à segunda fase. Os concorrentes já realizaram as provas escritas e ainda precisam passar pelas etapas de aptidão física, avaliação psicológica e investigação de vida pregressa. “O temor é que, ao final de todo esse processo, não haja número suficiente de candidatos aptos para preencher as vagas e formar a primeira turma na Academia de Polícia”, afirmou.
Para o deputado Leonel Radde, a carreira de policial deixou de ser atrativa. “O governo Leite optou por fazer um regime de recuperação fiscal que impede que os servidores públicos recebam reajustes salariais, o que acarreta em achatamento de seus ganhos”, frisou. Como presidente da Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado da ALRS, Radde tem presidido debates e audiências públicas sobre políticas de valorização dos serviços públicos e dos servidores e promovido requerimentos de informações e projetos relacionados a esses temas.
Leonel Radde, que também é policial civil de carreira, tem atuado em defesa dos serviços públicos e da carreira dos servidores, especialmente dos policiais civis. Ele foi um dos responsáveis por criar ou fortalecer espaços de debate legislativo sobre valorização dos servidores e concursos como forma de ingresso qualificado no serviço público. Por exemplo, ele foi um dos idealizadores da Frente Parlamentar em Defesa do Serviço Público, que tem como objetivo apoiar concursos públicos e garantir condições dignas de trabalho para servidores, incluindo policiais civis.
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: Kelly Demo Christ




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