CSSP abre agenda do segundo semestre com debate sobre violência extrema nas escolas
- Leonel Radde
- 9 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
A Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado inaugurou sua agenda de debates após o recesso parlamentar com um tema que vem preocupando cada vez mais pais e educadores. Numa audiência pública na tarde desta sexta-feira (1), o colegiado abordou a violência extrema nas escolas a partir da apresentação do Projeto Sin@is: Precisamos Falar sobre Violência Extrema, realizado pelo Núcleo de Prevenção à Violência Extrema do Ministério Público. O encontro foi proposto pelo presidente da comissão, deputado Leonel Radde (PT).
Criado em 2024, o projeto visa a capacitar gestores e professores para identificar sinais de violência e promover a prevenção. A iniciativa inclui seminários e diálogos com o setor educacional para oferecer ferramentas de apoio aos estudantes e ajudar os educadores a compreender o que se passa no cyber universo. Em menos de dois anos de existência, o projeto já capacitou 5367 pessoas em 176 municípios.
A sub-procuradora-geral de Justiça, Josiani Superti Brasil Camejo, disse que a iniciativa surgiu da percepção de que, diante da escalada de casos de violência extrema, o Ministério Público precisa agir de forma permanente e não apenas pontualmente. Segundo ela, Sin@ais é prioritário, pioneiro e estratégico para o Ministério Público gaúcho e tem servido de modelo para outros estados.
O coordenador do projeto, procurador Fábio Costa Pereira, explicou que a iniciativa busca assegurar instrumentos para que os adultos criados no século XX protejam crianças e adolescentes que transitam pelo mundo digital no século XXI. “Sin@is é uma presença analógica para prevenir problemas digitais”, resumiu.
Ele chamou a atenção para o fato de que o ambiente privado não oferece mais a segurança que muitos pais imaginam, pois os filhos frequentam um mundo em que não há limites territoriais ou de idioma e onde podem ter amigos em qualquer país do mundo. “As clássicas perguntas que eram feitas aos adolescentes do século passado (onde vão, com quem vão e a que horas voltam), hoje, são questões extemporâneas”, alertou, lembrando que o mais racional, na era, digital é olhar o bloco de notas do computador, onde conteúdos secretos são armazenados para despistar os pais.
Segundo Fábio, a violência extrema é circundada pelo chamado triângulo maldito, cujos lados são formados por família disfuncional ou desconectada, excesso de tela e bullyng. Os ataques em escolas são, em sua avaliação, um recorte da violência extrema envolvendo crianças e adolescentes. Zoossadismo, pedofilia, automutilação, distúrbios alimentares e indução ao suicídio são, conforme ele, práticas que integram o cardápio de ódio oferecido pelo mundo virtual. “É um erro supor que os esses crimes são motivados por alguma ideologia específica, o que evidenciamos é niilismo extremista violento, que encontra na esfera virtual o acolhimento que não recebe no mundo real. É uma salada de frutas ideológica, que dá a garantia de que seu ódio tem um nome”, analisou.
Ele revelou ainda que 23% dos envolvidos nos eventos violentos têm menos de 18 anos e que a participação das mulheres vem crescendo nos últimos dois anos em todos os recortes. “As mulheres não são mais só as vítimas ou as iscas. Hoje, atuam com tanta ou mais violência que os homens”, apontou.
Mais controle
A defensora pública Paula Dutra de Oliveira ressaltou que a tendência dos pais é superestimar perigos externos e minimizar os riscos internos e que é preciso redimensionar este entendimento. Ela defendeu mudanças na educação digital para jovens e adultos e mais controle parental sobre o uso de plataformas digitais, assim como a adoção de idade mínima para acessá-las.
A representante da Secretaria de Educação de Porto Alegre Adriana Paz chamou a atenção para a importância da valorização da diversidade etnorracial para criar senso de comunidade e território e, assim, prevenir adesão dos jovens a ideologias extremistas, cultura do ódio e práticas violentas.
Já a delegada Alice Jantsch Fernandes afirmou que está em formação um grupo de trabalho na Polícia Civil que terá como foco a análise criminal de casos e perfis de violência extrema para auxiliar as delegacias de polícia do Rio Grande do Sul.
Também participaram da mesa da audiência pública a promotora Cristiane Della Méa; a representante do Conselho Tutelar Lucien Mariano Germeli; o representante da Secretaria de Segurança Pública de Porto Alegre João Remião; e o representante da Secretaria Estadual de Educação Guilherme Corte.





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