Tomazeli responde a questionamentos de deputados sobre o documentário Todos nós por todos nós
- Leonel Radde
- 9 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
O secretário estadual de Comunicação, Caio Tomazeli, negou que o documentário produzido pela Secon para retratar os esforços de reconstrução do estado após a enchente de maio de 2024 tenha utilizado o slogan da campanha do governador à reeleição. O mote Todos nós por nós, que batiza o filme sobre as ações do governo, segundo ele, não foi o slogan da campanha de Eduardo Leite, que só teria exibido a frase, inscrita numa camiseta, no dia em que foi votar. Tomazeli compareceu à reunião da Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado, na manhã desta quinta-feira (12), em atendimento a requerimento proposto pelo deputado Miguel Rossetto (PT), para explicar as denúncias suscitadas pelo filme.
O secretário explicou que o título do documentário repete o enunciado que acompanha o material publicitário do Plano Rio Grande, projeto aprovado pela Assembleia Legislativa, que organiza a resposta governamental aos efeitos da catástrofe climática. Ele afirmou ainda que filme integra a agenda elaborada Secon para marcar um ano da enchente, resgatar imagens da tragédia, promover uma catarse do episódio e mostrar os esforços dos gaúchos para a reconstrução do estado. “Se não nos lembrarmos da reconstrução, muito dificilmente construiremos um futuro capaz de resistir a outras transformações que, com certeza, irão surgir”, justificou.
Promoção pessoal
O deputado Miguel Rosseto sustentou, na abertura do encontro, que o documentário afronta os princípios constitucionais da impessoalidade, moralidade e legalidade, que regem a publicidade dos atos governamentais. “O uso de símbolos, expressões, nomes, slogans ideológicos, políticos ou partidários ou imagens que caracterizam promoção pessoal de agente público é proibido pela Constituição”, frisou.
O petista argumentou ainda que a conjuntura em que o filme foi lançado é um elemento que reforça a tese que o material tem o propósito de autopromoção do governador. “Eduardo Leite, assumidamente, pré-candidato à Presidência da República, é apresentado pelo documentário como um herói que nunca existiu. Mais de um terço do tempo de duração do filme, pago com recursos públicos, é dedicado à figura do governador”, apontou.
Na mesma linha, a deputada Laura Sito (PT), afirmou que a produção poderia ter optado por outras abordagens, mas escolheu realizar uma peça em que o governador figura como herói, além de promover a espetacularização da dor e a romantização do processo vivido pela população. “As aparições de Eduardo Leite representam 21,83% do tempo do documentário, justificando, obviamente, o debate sobre o princípio da impessoalidade na publicidade governamental”, frisou
Em resposta aos integrantes da bancada do PT, Tomazeli sustentou que o material produzido pela Secon configura um documentário com “personagens reais e fatos verdadeiros, sem imagens produzidas”. Disse ainda que, além de Eduardo Leite, outras 60 pessoas derem depoimentos e que a presença do governador se justifica “porque ele conduziu o processo de reconstrução”.
O líder do governo na Assembleia Legislativa, Frederico Antunes (PP), pediu que as manifestações do Poder Judiciário sobre a participação do governador no filme sejam transcritas na ata da reunião, lembrando que foi negado o pedido de suspensão da exibição do documentário.
Já o deputado Issur Koch (PP) disse que os esclarecimentos técnicos sobre o assunto são necessários, mas que o debate envolvendo o tema na Assembleia Legislativa tem, legitimamente, conotação política. “Temos o papel de fiscalizar, mas não podemos esquecer que estamos numa Casa política”, ressaltou.
Ele citou uma série de episódios envolvendo o governo federal em que também há questionamentos sobre o descumprimento de princípios constitucionais e uso de recursos públicos para impulsionar redes sociais de agentes públicos.
Já o deputado Capitão Martim (Republicanos) apresentou uma bateria de questões, que deverão ser encaminhadas, formalmente, ao governo do estado por meio de pedido de informações. O parlamentar quer esclarecimentos sobre quem são os servidores que trabalharam na produção do documentário com a descrição dos cargos que ocupam e o detalhamento das funções que desempenham; relação patrimonial completa dos bens locados; responsáveis pela aprovação do roteiro; empenho dos gastos; segmentação de público e regiões impulsionados nas redes sociais; participação da agência que realizou a campanha do governador na produção do documentário e registro do ingresso de seus integrantes no Palácio Piratini no último ano.
Também se manifestaram os deputados Stela Farias (PT), Professor Bonatto (PSDB), Airton Artus (PDT) e Jeferson Fernandes (PT).
Ordem do dia
Antes do período dos assuntos gerais, os deputados aprovaram, a pedido de deputado Delegado Zucco (Republicanos), convite para a que secretária da Fazenda, Pricilla Maria Santana, participe de reunião do colegiado para falar sobre a dívida do Rio Grande do Sul e as projeções para os demais exercícios financeiros, levando em consideração todos os contratos e parcelamentos da Administração Direta.
Na sequência, aprovaram a realização de audiência pública sobre a situação da Universidade Estadual do Rio Sul, que completa 24 anos de existência em julho. A iniciativa é do deputado Jeferson Fernandes (PT).
Duas matérias que constavam na ordem do dia foram objetos de pedidos de vistas, apresentados pelo presidente do colegiado, Leonel Radde (PT). O primeiro foi o parecer favorável ao Projeto de Lei 219/2025, do deputado Delegado Zucco (Republicanos), que institui multa pelo porte e uso de entorpecentes em ambientes públicos no Rio Grande do Sul. A outra foi o pedido do governador Eduardo Leite de prorrogação do mandato de Alexandre Alves Porsse no Conselho Superior da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs) pelo prazo faltante para completar seis anos.
Participaram da reunião as deputadas Stela Farias (PT), Patrícia Alba (MDB) e Delegada Nadine (PSDB) e os deputados Delegado Zucco (Republicanos), Cláudio Tatsch (PL), Professor Bonatto (PSDB), Airton Artus (PDT), Matheus Gomes (PSOL), Jeferson Fernandes (PT), Dirceu Franciscon (União) e Issur Koch (PP), além do presidente do colegiado.










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